Sexta-feira, 18 de Maio de 2012

Família e Envelhecimento Ativo

As famílias constituem-se como sendo agregações sociais, ao longo dos tempos, assumindo ou renunciando funções de proteção e socialização dos seus membros, como resposta às necessidades da sociedade pertencente. Neste sentido, as funções da família regem-se por dois objetivos, sendo um de nível interno, como a proteção psicossocial dos membros, e o outro de nível externo, como a adaptação a uma cultura e a sua transmissão.

O envelhecimento ativo constitui um novo paradigma para a velhice, permitindo reconhecer as pessoas idosas como membros integrados na sociedade em que vivem, contribuindo plenamente para o seu desenvolvimento ao mesmo tempo que beneficiam dele com o passar do tempo.

Assim sendo, o termo envelhecimento ativo determina a participação social do indivíduo, a sua saúde e segurança (Fernandes, 2005). De mencionar que é ainda determinado pelas relações interpessoais, pelos estilos de vida, pelo ambiente físico e social, pelas relações familiares e pela situação económica.

Na medida em que o ambiente social e as relações familiares são um marco importante para um envelhecimento ativo e saudável, é fundamental que os familiares dos idosos os façam sentir integrados no meio familiar. O idoso deverá ser envolvido no processo familiar (tomada de decisões, apoio na educação dos netos, etc). Assim sendo, aos idosos que se mantêm autónomos e no seu domicílio, é premente que continuem a ocupar um papel social na família e que os familiares os estimulem a ter uma rotina diária, práticas de auto-cuidado e que continuem a realizar atividades de vida diária e instrumentais de vida diária.

Os cuidadores informais (família) deverão advogar e incentivar o idoso à aprendizagem cognitiva (leitura, treinos de memória, realização de jogos) e incentivar à prática de exercício físico, assim como promover a saúde mental, a auto-estima e auto-imagem.

 Os idosos poderão envelhecer mais ativamente se tiverem um papel preponderante no seio da família, podendo ser encarados como tendo uma herança social e cultural, que deverá ser respeitada e valorizada e transmitida às gerações mais novas do ciclo familiar.

Aparentemente, a relação avós-netos, é fulcral, pois irá possibilitar a ambas as gerações um desenvolvimento pessoal, social e cognitivo, numa perspectiva de solidariedade intergeracional.

Em relação à importância da intergeracionalidade e ao elo de ligação que deve existir entre as famílias e as gerações: “As famílias são fundamentais para socializar e educar as gerações jovens e para prestar cuidados e apoio às gerações idosas (…), devemos basear-nos na ideia de que a sabedoria e experiência das pessoas idosas são um elemento realmente vital, tanto para as famílias como para as sociedades. Os idosos são o elo de ligação entre o passado, o presente e o futuro” (in Pretextos, nº 15, 2004).

As relações familiares, a integração no seio familiar e as trocas de vivências e partilhas de experiências dentro do ciclo familiar, farão com que o idoso se sinta mais útil e valorizado, assim como com maior auto-estima e sentimento de pertença.

No que concerne os idosos que estão integrados numa resposta social, seja este um equipamento social como um Lar, Centro de Dia ou Serviço de Apoio Domiciliário, é fundamental que a família se envolva na integração destes nessa resposta social. Aos idosos que se encontram em Lar, por exemplo, o ideal seria que as famílias se envolvessem na admissão dos utentes, acompanhando-os diariamente (sempre que possível) na sua integração no Lar, para que se sintam acompanhados e motivados para continuar a participar em atividades, promotoras de envelhecimento ativo e saudável.

A adequação ao ambiente físico e social, assim como as redes de suporte social (neste caso a família), são considerados importantes elementos no bem-estar e saúde física e mental dos idosos, contribuindo assim para uma melhoria da qualidade de vida e para um envelhecimento ativo.

 

 

Miriam Reis

Assistente Social – SCM de Angra do Heroísmo


 

Referências Bibliográficas:

LOPES, A., Pereira, S., & Esperto, S. (Março de 2004). O papel da família na população idosa e na população com deficiência. Pretextos - Segurança Social, nº15, pp. 16-17.

 

FERNANDES, A. T. (2005). Processos e estratégias de envelhecimento. In Revista da Faculdade de Letras. Sociologia, Porto, I Série, vol. 15, pp. 223-248.

 

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publicado por servoluntariosempre às 12:45
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