Sábado, 27 de Outubro de 2012

A Alimentação e o Envelhecimento


Nos últimos anos em Portugal, temos vindo a assistir a uma redução da taxa de natalidade e a um aumento da esperança média de vida. Ao mesmo tempo, tem havido melhorias significativas nos cuidados de saúde, permitindo-nos não só viver mais anos, ao mesmo tempo que o fazemos com mais qualidade.
Junto da comunidade científica está bem definida a relevância dos hábitos alimentares ao longo da nossa existência, como fator de impacto na nossa saúde. Num contexto clínico, sabe-se ainda que a manutenção de um bom estado nutricional permite-nos minimizar o aparecimento de doenças, aumentar a eficiência do tratamento, diminuir os riscos de infeção, potenciar algumas terapêuticas e reduzir o tempo de internamento.
Neste Dia Mundial da Alimentação, e sendo 2012 o Ano Europeu do Envelhecimento Ativo e da Solidariedade entre Gerações, coube-me o papel de ressalvar a importância da alimentação numa fase mais avançada da vida. Sabe-se que à medida que envelhecemos vão ocorrendo no nosso organismo algumas alterações fisiológicas que podem comprometer a forma como comemos. O desgaste celular natural, apesar de não ser igual em todos os indivíduos, nem ocorrer à mesma velocidade, manifesta-se também ao nível das papilas gustativas, modificando a perceção sensorial dos alimentos. Assim, a visão, o paladar e o olfato alterados poderão condicionar a escolha e ingestão de alimentos. Há igualmente uma diminuição da acidez do estômago, que poderá levar a dificuldades de digestão. Associado a este “envelhecimento” celular, a redução da atividade física e do aporte hídrico condicionam fortemente a motilidade intestinal, propiciando situações de obstipação crónica. Porém, estes mecanismos fisiológicos são frequentemente afetados pela presença ou ausência de prótese dentária, existência de situações de doença e consequente medicação.
A esta amálgama de fatores, associam-se ainda os aspetos sociais da alimentação. Desde cedo aprendemos que a nossa dieta tem um elo fundamental com a cultura em que estamos inseridos. Existe uma forte conotação com as nossas origens sociais, crenças religiosas e possibilidades económicas. É através das trajetórias de socialização que os alimentos adquirem uma importância afetiva. Assim sendo, quando há perda do cônjuge, quando a pessoa idosa se encontra sozinha em sua casa ou quando está institucionalizada, é frequente depararmo-nos com quadros de omissão ou rejeição de refeições. Muitas vezes não sentem necessidade de cozinhar, havendo um aumento significativo de uma monotonia dietética.
Por todas as questões supracitadas, percebe-se que se não existirem medidas que contrariem os aspetos que são modificáveis, a desnutrição será inevitável. Para que isso não aconteça, pretende-se encontrar um equilíbrio entre as partes cognitiva, fisiológica e emocional do idoso. Cabe também às gerações mais jovens ajudar a encontrar um lugar para os mais velhos na sociedade, através da partilha de experiências, do incentivo ao aumento da mobilidade, da companhia nas mais diversas tarefas diárias (incluindo às refeições, e se necessário, adaptando a consistência das refeições, auxiliando no cuidado e manutenção da dentição e saúde oral…).

Mestre Débora Silveira
Nutricionista da SCMAH

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publicado por servoluntariosempre às 19:14
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