Terça-feira, 20 de Novembro de 2012

ESPIRITUALIDADE E ENVELHECIMENTO ATIVO- A VERDADEIRA DIMENSÃO DO SER HUMANO

Todo o ser humano nasce com uma certeza ontológica que o identifica e define tal como é: o seu envelhecimento, isto é o amadurecer da plenitude da vida.

Nesta certeza, cada homem e cada mulher vem ao mundo para cumprir uma função e depois de cumprida está pronto para a partida final, que é também a certeza que acompanha cada um de nós desde o nascimento.

Nós nascemos marcados por uma dupla dimensão que nos distingue de todos os outros animais e de todos os seres viventes: a dimensão natural e a dimensão espiritual.

Envelhecer é chegar à maturidade plena da vida, é amadurecer totalmente e ter a firme certeza que já realizou tudo o que estava ao seu alcance para ser feliz, para fazer alguém feliz e para deixar neste mundo uma marca da sua passagem. No fundo é poder afirmar com toda a certeza que sente o seu dever cumprido, que a sua missão neste mundo foi plenamente alcançada.

Esta dupla dimensão do ser humano deixa uma marca única que molda e caracteriza cada um de nós. Somos formados de corpo, alma e espírito. Querer negar esta realidade é não só negar o específico da condição humana, mas também truncar a realidade que nos faz diferentes dos outros seres: somos feitos à imagem de Deus, quer acreditemos ou não.

Existem muitas pessoas que nunca se chegam a realizar plenamente, que levaram toda a vida a olharem apenas para a sua condição natural. A isto poderemos chamar a horizontalidade da vida. Outras pessoas vivem e preocupam-se com aquilo que mais intimamente as identifica como seres plenamente humanos, a sua condição espiritual. A isto poderemos chamar a verticalidade da vida.

É na junção desta dupla vertente (humana e espiritual) que nós podemos encontrar a totalidade da vida de cada ser humano. Se unirmos as duas dimensões da nossa existência, a vertical e a horizontal, facilmente encontraremos o sinal que nos caracteriza como cristãos (para os que o são), ou seja, o sinal da cruz. Para os que não são cristãos, poderão facilmente chegar ao ponto supremo onde encontrarão a harmonia, a felicidade, a paz, numa palavra, aquilo que os pode identificar com a realidade espiritual que os envolve e supera.

 

A VELHICE E O SEU APOGEU ESPIRITUAL

A velhice é um cofre de recordações. Quem me dera ter tempo de me sentar aos pés de um velhinho ou uma velhinha e ouvir e prender tudo o que eles têm para ensinar!

Sim é verdade, porque ser idoso é ser mestre da vida. Eles ensinam como se viveu e ensinam como se vive. Porque a pessoa idosa frequentou a universidade da vida e é doutor de vivências humanas, espirituais, psicológicas e naturais.

A velhice não é um patamar da vida, é uma atitude psicológica. Há muitos jovens velhos e muitos idosos que vivem em plena juventude. Eu próprio conheço alguns e admiro-os por isso mesmo.

O ser humano não se realiza plenamente e humanamente desligado de Deus ou de uma entidade espiritual a que nós cristãos chamamos Deus, os muçulmanos chamam Alá e os judeus chamam Javé.

Todas as religiões ou sistemas religiosos e espirituais apontam para um ser superior que nos transcende e que vem dar sentido à nossa humanidade.

A isto chamamos a dimensão transcendente e dimensão imanente do ser humano. Se me permitis gostaria aqui de citar Santo Agostinho quando afirma: “Criaste-nos para Vós Senhor e o nosso coração não descansa enquanto não repousar em Vós.”

 

A VELHICE COMO TEMPO DE FAZER O BALANÇO DA VIDA

Chegou o momento do qual não se pode mais fugir ou adiar para resolver situações que ficaram por resolver com alguém a quem não se amou ou alguém não se perdoou ainda.

Este é o verdadeiro momento de perdoar e esquecer as dificuldades da vida.

Na verdade, muitos jovens gostariam de viver este momento. Com muita frequência se ouve esta expressão: “quem me dera saber aquilo que sei hoje…”. Este é o saber dos saberes adquirido na escola da vida, feito muitas vezes de, suor e lágrimas, mas também repleto certamente de verdadeiros momentos de alegria contagiante que se deseja transmitir a quem nos rodeia e quem nós amamos.

A velhice é a vida da vida. É a partilha do amor no seu sentido mais pleno e belo.

Isto é que é ser verdadeiramente um idoso, maduro, feliz, porque é plenamente espiritual e natural, ou seja, vive intensamente a dimensão completa do seu ser, daquilo para que foi criado e cumpre na integra a missão para que nasceu e passou neste mundo alguns anos de uma coisa bela que se chama o dom da vida.

Viver assim vale a pena e só nos prepara para o momento de passar desta dimensão natural, humana e terrena para outra dimensão que é totalmente espiritual, divina e celeste.

Cada um de nós se pergunte a si próprio se viveu plenamente e serviu alguém enquanto viveu.

Porque quem não vive para servir também não serve para viver. Gostaria de dizer a todos os idosos: obrigado pela vossa vida, pelo vosso exemplo, pela vossa fé e coragem. Nós somos todos fruto daquilo que vós vivestes e nos transmitistes. Vós sois a nossa memória.

 

José Fernando da Silveira Faria (Licenciado em Teologia)

                                                                                

                                                                                 

Voluntário da Santa Casa da Misericórdia de Angra

 

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publicado por servoluntariosempre às 12:50
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