Quarta-feira, 29 de Maio de 2013

Entidades Familiarmente Responsáveis (EFR’s)

 

Propomos uma reflexão acerca duma temática de discussão relativamente recente mas que tem vindo a merecer a adesão de um bom segmento das organizações em Portugal. Referimo-nos às “entidades familiarmente responsáveis” (EFR’S). Este conceito de EFR’s tem sido trabalhado pela Fundação espanhola “Másfamilia” – entidade privada, independente, sem fins lucrativos e de caridade, criada com o objetivo de promover soluções inovadoras e altamente profissionais para a proteção e apoio à família, especialmente aquelas com dependentes (crianças, idosos, pessoas com deficiência) no seu seio –, que criou a marca EFR, passando a distinguir, anualmente, com um prémio, e atualmente já com uma certificação da SGS ICS Portugal, as empresas mais familiarmente responsáveis. Em Espanha são cerca de 265 as entidades já certificadas. No nosso país, apenas o Banco Santander Totta conseguiu obter esta certificação. Assim, uma EFR poderá ser definida como uma empresa ou organização que encara a família como mais um parceiro, um “stakeholder”, e implementa um conjunto de medidas que favorecem a harmonização entre a vida familiar e a vida profissional. Com efeito, num tempo de crise e de austeridade, que afeta sobremaneira as famílias portuguesas, continua na ordem do dia, e com importância acrescida, a discussão acerca da conciliação necessária entre família e trabalho e a perceção, pelas empresas, da necessidade de valorizarem os seus trabalhadores através da adoção de medidas familiarmente responsáveis, em ordem à consecução dos objetivos da própria empresa. A relação família/trabalho ganha, deste modo, um grau de complementaridade, emdetrimento da conflitualidade que lhe é tradicionalmente associada. De fato, para a entidade familiarmente responsável, a implementação das medidas facilitadoras da conciliação da vida familiar e profissional traduz-se num aumento dos níveis de motivação e produtividade; na retenção de trabalhadores qualificados; na diminuição do absentismo; na obtenção de uma maior igualdade entre os trabalhadores – ao nível do género, de pessoas portadoras de deficiência, entre outras –; na elevação dos níveis de satisfação no trabalho; na redução da resistência à mudança; no aumento do orgulho e do sentimento de pertença à entidade. A entidade consegue, assim, dos trabalhadores, um “vestir a camisola”, que não tem preço. Os mais recentes relatórios evidenciam, nestas empresas, uma melhor saúde, motivação, compromisso, rendimento, desempenho, iniciativa, retenção do talento, tempo poupado em gestão pessoal durante o horário laboral, num clima de paz social certamente desejável num tempo de crise e de austeridade para as famílias, para as empresas e para a sociedade em geral.

No nosso país, estas práticas, que agora começam a generalizar-se, encontravam até há pouco tempo, alguma tradição apenas em algumas entidades do setor privado e nalgumas do setor social, no pressuposto de que temos de ter a máxima tolerância possível com as pessoas para podermos ter a máxima exigência com o seu desempenho. Dos relatórios já produzidos acerca das boas práticas levadas a cabo pelas entidades socialmente responsáveis e amigas das famílias, no nosso país, é possível identificar várias medidas características das EFR’s, tais como: o princípio segundo o qual nenhum colaborador ganhará abaixo do chamado ordenado mínimo nacional; adoção da flexibilidade laboral, reconhecendo que nem sempre o tempo de presença do trabalhador na empresa corresponde a um elevado nível de produtividade, adotando uma gestão por projetos, por objetivos ou por tarefas, o que não implica a presença física diária e contínua do colaborador no local de trabalho – uma medida geradora de poupanças significativas para as pessoas e para as entidades, ao final do mês; medidas de apoio à maternidade e paternidade: negociação de prolongamento da licença, mediante redução do salário; disponibilização ao colaborador, através do Departamento de Recursos Humanos, de informação sobre equipamentos sociais existentes na zona; criação de infantários destinados aos filhos dos colaboradores ou atribuição de prioridade no acesso a equipamentos pertencentes à entidade, pelos respetivos colaboradores; atribuição de prémios de bom desempenho escolar aos filhos dos colaboradores e de subsídios escolares; apoio à criação de hábitos de vida saudáveis com promoção, pela entidade, para os seus funcionários, de acordos com ginásios ou centros desportivos ou simplesmente organizando workshops e rastreios; construção de planos de formação à medida de cada colaborador, para que ao longo do ano adquira e desenvolva novas competências; promoção de formação em áreas como a gestão do stresse, gestão de conflitos, diversidade cultural, apoio a papéis familiares específicos; concessão de estágios aos filhos dos colaboradores; atribuição de subsídios para minimizar o impacto das despesas com livros e material escolar no orçamento familiar dos colaboradores; dispensa de trabalho no dia do aniversário do colaborador e reconhecimento aos colaboradores que celebrem 25 anos de fidelização à entidade.

No plano do apoio financeiro e material, incluem-se todos os benefícios extra salariais, como as diversas modalidades de seguros; gratificações e prémios; seguro de acidentes, cada vez mais generalizado; seguro de vida; planos de reformas e outros. O Banco Santander Totta, única EFR certificada em Portugal, atribui dispensa na tarde de aniversário dos filhos dos colaboradores até à idade de 12 anos; atribui prémios aos filhos dos colaboradores que se destacam pelo seu desempenho académico ao concluírem o 12º ano de escolaridade; oferece um kit de nascimento sempre que o colaborador tem um filho; dispensa os colaboradores o primeiro dia de escola do 1º ano de escolaridade dos filhos dos colaboradores; concede tempo livre para participação nos órgãos das associações de pais; apoia a vacinação contra o cancro do colo do útero para as filhas dos colaboradores; dispensa os colaboradores para projetos de solidariedade e voluntariado; reconhece o mérito; admite o alargamento do período de licença sem vencimento para apoio a filhos, de 36 para 42 meses; considera a possibilidade de trabalho a tempo parcial e criou mecanismos específicos para facilitar a comunicação com os colaboradores, aos colaboradores entre si e da empresa com a comunidade (revistas e outras publicações periódicas, mail, intranet e comunicação presencial). Nos Açores, registamos a Câmara Municipal de Angra do Heroísmo e a Câmara Municipal da Praia da Vitória, que foram distinguidas com o título de “Autarquia + Familiarmente Responsável 2012”. Este galardão foi atribuído pelo Observatório das Autarquias Familiarmente Responsáveis, em reconhecimento pelo trabalho de apoio às famílias que as autarquias têm vindo a promover nos seus concelhos.

Medidas implementadas pela SCM de Angra do Heroísmo

Enquanto entidade familiarmente responsável, a Misericórdia de Angra do Heroísmo tem implementado algumas medidas e iniciativas: a atribuição, a todos os funcionários, e sem perda de retribuição, do dia de aniversário; o estabelecimento de protocolo com entidade seguradora, no sentido de oferecer a todos os seus colaboradores um seguro de saúde, anualmente atualizado e da responsabilidade da instituição, permitindo assim aos funcionários o acesso facilitado e em condições vantajosas a consultas e exames de diferentes especialidades, ao nível nacional, desde que as mesmas sejam abrangidas pelo protocolo com a empresa seguradora; protocolo com clínica médica local tendo em vista redução do valor a pagar, por consulta de especialidade, pelo funcionário da instituição, desde que devidamente identificado e ainda um programa de classes de movimento para funcionários. Em suma, as empresas são entidades constituídas por pessoas. Se elas estiverem motivadas e se sentirem respeitadas, valorizadas e reconhecidas como geradoras de valor, todos ficarão a ganhar: o colaborador, a empresa, a família e a sociedade em geral.


Dra. Maria Manuela Sousa


*Socióloga na Santa Casa da Misericórdia de Angra do Heroísmo

 

 

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publicado por servoluntariosempre às 15:33
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