Terça-feira, 27 de Março de 2012

Envelhecimento … outras leituras…

 

A Comissão Europeia, no ano de 2010, propôs ao Parlamento Europeu e ao Conselho que designassem 2012 como Ano Europeu para o Envelhecimento Ativo, com o objetivo de apoiar os Estados-Membros “no sentido de promover o envelhecimento e de melhor explorar o potencial da população, em rápido crescimento, com 50 ou mais anos de idade, perseverando desta forma a solidariedade entre gerações”

Esta proposta foi alvo de parecer do Comité Económico e Social Europeu, que a analisou também, considerando que o envelhecimento não deverá ser entendido apenas como ativo, mas integrar orientações relativamente à saúde e à dignidade, pelo que sugere que a temática seja debatida e implementada, em simultâneo com outras, tais como a solidariedade intergeracional, os cuidados a prestar às pessoas mais velhas, no âmbito da assistência e conservação da vitalidade, bem como o consequente impacto de tudo isso, nos sistemas de saúde e de proteção social.  

Por outras palavras, o Comité apelou a que não se fique apenas a pensar na atividade profissional, mas que se reconheçam e valorizem os diversos contributos que os mais velhos poderão dar à sociedade, proporcionando condições favoráveis à transmissão de experiências, saberes e valores e evitando, deste modo, a exclusão social dos mais idosos, entendida, em alguns domínios, como flagelo dos nossos tempos.

Em recente sessão sobre desafios demográficos e solidariedade intergeracional, a Comissão do Emprego e dos Assuntos Sociais do Parlamento Europeu reforçou a necessidade de se clarificar que os idosos e os que se aproximam da fase da reforma “não representam um fardo para a economia e a sociedade nem constituem um obstáculo à modernização dos processos de trabalho, mas, pelo contrário, são um trunfo e um valor acrescentado significativo, graças à sua experiência, às suas conquistas, aos seus conhecimentos … “

                O objetivo global para este Ano Europeu, é então facilitar a instauração de uma cultura de envelhecimento ativo na Europa, baseada na construção de uma sociedade onde cada indivíduo, em todas as fases da vida, tem o seu lugar.

A operacionalização desta meta global, implica:

- Sensibilizar a opinião pública para o valor do envelhecimento nas diversas dimensões e garantir que nessa perspetiva lhe seja atribuída uma posição de destaque na programação das agendas políticas das partes interessadas;

- Estimular o debate no processo de sensibilização, para gerar intercâmbio de ideias e de informação de modo a incentivar a associação dinâmica de vários fatores e de várias funções propiciadores de interiorização das orientações e conceitos;

- Estabelecer um quadro de compromisso e de ação concreta, com a participação da sociedade civil, dos parceiros sociais e até do sector empresarial, acentuando a tónica em estratégias de comunicação e ação, inovadoras;

- Promover atividades que contribuam para lutar contra a discriminação dos idosos, isto é, sejam mobilizadoras do apagamento dos obstáculos e estereótipos relacionados com a idade.  

No contexto atual é de toda a utilidade refletir sobre a temática do envelhecimento. Em toda a Europa o aumento da população envelhecida é galopante. Que o fenómeno não seja  então entendido apenas como uma realidade biológica, mas que se lhe atribua e acrescente o conceito de oportunidade, a qual poderá proporcionar algumas possibilidades, tais como o redescobrir valores em novas aprendizagens, o dispor de mais tempo para olhar o mundo, aceitando as vicissitudes da idade sem drama, dando assim um novo sentido à vida. A consciência desta situação permitirá contrariar os aspetos degradantes, decorrentes da longevidade, tais como a solidão, o afastamento da vida social, entre outros.

É natural que estas reflexões façam brotar novas oportunidades, por parte dos responsáveis pela organização dos países. Espera-se que sejam iniciativas tendentes a responder às necessidades geradas pelas limitações inerentes à condição dos mais velhos, incutindo normas para um modelo social coerente e ajustado.

Tem-se assistido à proliferação de espaços e realizações, na sociedade civil, onde a pessoa idosa pode integrar-se e ter assim uma participação ativa. É bom saber-se que hoje, existem esses mecanismos facilitadores, todavia a adesão é, sem sombra de dúvida, um ato de vontade e decisão pessoal. Será necessário ficar-se atento, agarrar o lado da vida capaz de ainda estimular a viver, para tirar o melhor partido das condições existentes. Porém, é necessário ter presente que, a construção e manutenção do processo de saúde na sua complexidade mental e física, terá de ser sempre resultante de um esforço individual e da capacidade de corresponder aos estímulos.

Na realidade, nos modelos sociais vigentes, nem tudo são desempenhos suscetíveis de serem validados com uma apreciação positiva. Todavia, algo tem sido feito. Registem-se as Universidades Sénior, as Academias para a Terceira Idade, os Centros de Convívio, o Turismo para os Idosos, os grupos de voluntariado organizado, enfim, e outras realizações que, certamente, serão motivadoras para o despertar do interesse e consequente adesão aos princípios definidos, os quais, quando perseguidos, serão suportes na concretização dos objetivos traçados.

Espera-se que, num futuro não muito longínquo, a mensagem do ano «Envelhecimento Ativo e Solidariedade Entre Gerações» demonstre os seus efeitos práticos, trazendo à ribalta iniciativas concretas que venham a contribuir, efetivamente, para uma cultura da dignidade dos idosos, a vários níveis, incluindo a vertente económica.

Formulam-se então votos para a construção de uma sociedade onde todos, independentemente da sua idade, estado ou posição social, usufruam de condições aceitáveis à realização de uma existência em que a tranquilidade e consequente segurança, sejam apanágio de todos.

Que no “mundo” de cada um em particular, e no das comunidades em geral, um dia, a solidariedade e a justiça imperem!

 

 

 

Maria Livramento Silveira, com a colaboração da Turma de Língua Portuguesa da Academia para a Terceira Idade da SCMAH

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publicado por servoluntariosempre às 16:29
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